Arquivo | junho, 2012

Tudo laranja de novo!

13 jun

Apesar da derrota na estreia da Eurocopa 2012, a Holanda está em festa novamente! No primeiro jogo contra a Dinamarca, no último sábado, o placar foi de 1 X 0 para os nórdicos. Para garantir a vaga na próxima fase, os holandeses devem melhorar o desempenho em campo porque hoje, 13 de junho, a disputa contra os alemães será ainda mais acirrada. Às 20h45 (horário local), as seleções se enfrentam em Charcov, na Ucrânia.

E o clássico – semelhante à disputa entre Brasil e Argentina – promete, já que no último amistoso entre os países vizinhos, os germânicos levaram a melhor. A Alemanha ganhou em casa de 3 X 0, no Hamburg Arena, em 15 de novembro de 2011.

Se no gramado os holandeses ainda não demonstraram tanta empolgação, nas ruas e nas casas a festa está garantida. Decorações em tons laranja estão por toda parte enfeitando as cidades. Diversos acessórios como chapéus, lenços e até unhas postiças com as cores da bandeira da Holanda incrementam o visual dos torcedores holandeses.

A novidade deste ano são os óculos com bigodes laranjas – uma homenagem aos jogadores “bigodudos” Frank Rijkaard, Ruud Gullit e Jan Wouters, craques do campeonato de 1988, ano em que a Holanda levantou a taça.

Texto: Flávia Waltrick / Fotos: Barbara Chanin e Flávia Waltrick

Anúncios

No pedal!

6 jun

Se tem uma coisa que você deve realmente tomar cuidado na Holanda é da sua bicicleta. O carro pode até ficar aberto com a chave dentro, mas a bicicleta é melhor trancar e ficar de olho se não quiser ficar a pé. Se alguém estiver precisando dar uma volta e uma bicicleta estiver de bobeira, já era.

Mais do que alternativa sustentável, elas são o principal meio de transporte urbano dos holandeses e alguns números justificam a afirmação. Segundo dados da Embaixada Holandesa de Ciclismo, na Holanda há duas vezes mais bicicletas do que carros, 26% de todo o volume de tráfego é feito por bicicleta, o que torna o país o campeão mundial de bikes. São cerca de 18 milhões de bicicletas para aproximadamente 16,5 milhões de habitantes.

Precisando de taxi? As bikes taxi te levam!

Alguns fatores contribuem – e muito – para manter este hábito saudável entre os holandeses. Ao todo, o país de 43 mil quilômetros quadrados de área conta com 17.701 ciclovias e 64.336 vias totalizando 29 mil quilômetros de pista, o equivalente a quase quatro vezes a distância entre o Oiapoque e o Chuí pela costa brasileira. Além disso, as vias são devidamente sinalizadas, os ciclistas têm preferência e o mais confortável: o país é plano.

Em termos de quantidade de magrelas per capita, o Brasil é apontado como o quinto país com maior densidade de bikes. Atualmente, o Brasil conta com cerca de 60 milhões delas. A proporção é de uma bicicleta para três habitantes. O gargalo continua sendo as faixas seguras destinadas ao pedal. No Brasil, existem pouco mais de 600 quilômetros de ciclovias. O Rio de Janeiro tem a maior malha do país, com um total de 250 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, mas ainda há muito o que se fazer, principalmente nas grandes cidades.

A rainha da Holanda, Beatrix, durante um passeio em 1991 (Arquivo: ANP/NL)

Para isso, bastam investimentos e políticas de sustentabilidade. Ao contrário do que se pensa, as ciclovias holandesas não são tão antigas quanto parecem. Os investimentos pesados no setor começaram somente em meados da década de 1970.

Investimentos e segurança

Já com uma excelente infraestrutura em todo o país, o governo holandês continua investindo em suas ciclovias visando a segurança da população. Em Amsterdã, por exemplo, foram investidos  20 milhões de euros por ano em projetos de ciclismo entre 2007 e 2010. Isto inclui a construção de ciclofaixas, ciclovias segregadas, interseções, túneis e pontes específicas para ciclistas.

Hábito lucrativo

Acessórios variados dão personalidade às bicicletas e aquecem o mercado deste segmento (crédito: João Marinho)

De acordo com a Embaixada Holandesa de Ciclismo, anualmente os holandeses gastam 1,4 bilhões de dólares em bicicletas. Somado a isso está uma gama de acessórios que inclui roupas especiais, lanternas e cadeirinhas infantis. A Holanda também exporta todos os anos cerca de 1 milhão de bikes.

Campanha contra roubo de bicicletas

O furto de bicicletas na Holanda deu origem a uma campanha do governo incentivando a denúncia dos roubos à polícia. Além disso, existe um mercado negro de bicicletas roubadas, vendidas a preços bem inferiores e o governo também tem desestimulado a população a comprar bicicletas de origem desconhecida.

Com isso, a boa notícia é que o roubo de bikes tem diminuído a cada ano. A Radio Netherlands Worldwide publicou que em 2006 foram registrados aproximadamente 750 mil furtos, enquanto em 2009, o número caiu para meio milhão. Outras medidas que contribuíram para esta redução foram a instalação de chips para identificação das bicicletas, certificação de qualidade e fechaduras mais resistentes. O patrulhamento pelas cidades e a criação de um registro oficial de bicicletas roubadas também ajudaram os proprietários a recuperarem suas magrelas mais facilmente.

Nas esquinas da Holanda

Holandesa e sua bike no inverno de 2011

Faça chuva ou faça sol, os ciclistas estão sempre nas ruas, muitas vezes causando mais congestionamento que os carros ou ônibus. Até as crianças entram nesse burburinho, seja na garupa ou com as suas pequenas bikes. Muitos idosos e pessoas com deficiências recorrem aos triciclos, bicicletas elétricas ou adaptadas.

Bicicletário na Estação Central de Amsterdã (crédito: Studio Koning)

Estacioná-las nas cidades grandes também não é tarefa fácil. Mais complicado ainda é identificar a sua magrela entre tantas outras paradas nos bicicletários e locais de maior movimento das cidades, como por exemplo, as estações centrais de trem. Para se ter uma idéia do montante, na região da estação central de Utrecht há 19.000 lugares de estacionamento internos e externos para bicicletas. Para isso, alguns recorrem a apetrechos decorativos e cestinhas coloridas.

Passeio em família em Amsterdã (crédito: Amsterdamize)

Vídeo: Barbara Chanin / Texto: Flávia Waltrick