Arquivo | janeiro, 2013

O rei: Willem-Alexander

28 jan
File photo showing Netherlands' Beatrix and her son Crown Prince Willem-Alexander waving to well-wishers from the balcony of the Royal Noordeinde Palace after opening the new parliamentary year in The Hague

O príncipe herdeiro Willem-Alexander e sua mãe, a rainha Beatrix

Hoje a rainha Beatrix da Holanda abdicou ao trono. Depois de 123 anos de uma sucessão de reinados sob o comando feminino (o dela, que durou quase 33 anos, o de sua mãe Juliana, 1948-1980; e de sua avó Guilhermina, 1890-1948), o “poder” passa para as mãos do príncipe de Orange, Willem-Alexander.

Em 30 de abril deste ano, o primogênito da família real holandesa assumirá como rei e chefe de Estado. Willem é casado com a argentina Máxima Zorreguieta, que assim como Lady Di, tem os holofotes mais voltados para ela do que para o próprio príncipe e marido. O casal tem três filhas: Amalia, nascida em 2003 que se torna a princesa herdeira, Alexia (2005) e Ariane (2007).

Antes de Willem, o último rei foi Guilherme III (1849–1890), precedido por Guilherme II (1840–1849) e Guilherme I (1815–1840) – muito original, hã?! – todos da Casa de Orange-Nassau. Para refrescar a memória, Guilherme I foi coroado o primeiro monarca da Holanda, depois que os holandeses expulsaram as tropas francesas de Napoleão Bonaparte.

royalbikes

Willem, Máxima e as três filhas numa típica foto holandesa: passeando de bicicletas

A monarquia na Holanda tem poderes limitados. O monarca, embora seja considerado parte do governo, é politicamente neutro e o poder real está nos ministros.

Como príncipes, Willem e Máxima desempenharam importante função social por meio da fundação Oranje Fonds, que apoia iniciativas sociais na Holanda. Outra atividade de destaque de Willem desde 2006 é a presidência da junta assessora de Águas e Serviços da Secretaria-Geral da ONU.

Durante seu reinado Beatrix ganhou a admiração e respeito da maioria dos holandeses. Agora, resta saber se o sucessor também terá o carisma e aceitação do povo, já que uma série de acontecimentos pôs em xeque a confiança no casal de herdeiros.

Entre os motivos da resistência estão alguns investimentos imobiliários que geraram polêmicas. Em 2009 eles compraram uma casa em Moçambique, mas acabaram vendendo o imóvel após as críticas do povo. Em 2011, em meio à crise econômica européia, o casal comprou uma mansão em Kranidi, na Grécia, que segundo o jornal holandês De Volkskrant, custou 4,5 milhões de euros.

Inicialmente, o próprio casamento entre Willem e Máxima não foi visto com bons olhos pelo parlamento holandês por ela ser filha do político Jorge Zorreguieta, que foi secretário de Agricultura do general Videla durante a ditadura na Argentina. Mas atualmente a princesa da Holanda é tão benquista pela população que há rumores de que ela também seria coroada rainha ao lado do marido, fato inédito nos Países Baixos.

Texto: Flávia Waltrick

Brasil marca presença no Festival de Cinema de Roterdã

22 jan

cinema

Quinze filmes irão representar o Brasil na 42ª edição do Festival Internacional de Cinema de Roterdã, que começa amanhã  e vai até o dia 3 de fevereiro. Da seleção nacional, o destaque é o longa “Eles Voltam”, do pernambucano Marcelo Lordello, que fará sua estréia internacional na cidade holandesa. O filme, vencedor do festival de Brasília, também concorre ao prêmio Hivos Tiger, o principal da mostra competitiva do evento, ao lado de produções da Itália, Irã, México e Argentina.

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Maria Luíza Tavares vive a garota Cris que tenta voltar para a casa com o irmão depois de serem largados na estrada

Coincidência ou não, este é o terceiro cineasta pernambucano a participar da seção competitiva, depois de Kléber Mendonça Filho com “O Som ao Redor” no ano passado; e Cláudio Assis, premiado em 2007 com o longa “Baixio das Bestas”. Foi também em Roterdã que o conterrâneo Gabriel Mascaro exibiu pela primeira vez “Avenida Brasília Formosa”.

Com uma temática mais leve e aventureira que os longas pernambucanos exibidos anteriormente, “Eles voltam” narra a história de duas crianças que são deixadas pelos pais à beira da estrada depois de brigarem constantemente durante uma viagem à praia.

A cada ano que passa o cinema nacional tem marcado mais presença no festival. Nesta edição, também estreiam em terras holandesas as produções brasileiras “Morro dos Prazeres”, de Maria Augusta Ramos; “O Uivo da Gaita”, de Bruno Safadi; “Avanti Poppolo”, de Michael Wahrmann;  “A Floresta de Jonathas”, de Sérgio Andrade; e “O Rio nos Pertence”, de Ricardo Pretti.

Completam a lista da seleção brasileira, “Claun – Parte 1: Os dias aventurosos de Ayana”, de Felipe Bragança; “Dizem que os cães veem coisas”, de Guto Parente; “Filme para poeta cego”, de Gustavo Vinagre numa produção conjunta entre Brasil e Cuba; “Na sua Companhia”, de Marcelo Caetano; “Odete”, de Clarissa Campolina, Ivo Lopes Araújo e Luiz Pretti;  “Serra do mar”, de Iris Junges;  “Tropicália, de Marcelo Machado; e novamente de Bruno Safadi, “Éden”.

Cena de "Avenida Brasília Formosa", de Gustavo Mascaro, cineasta contemplado com o Hubert Bals Fund 2013

Cena de “Avenida Brasília Formosa”, de Gabriel Mascaro, cineasta contemplado com o Hubert Bals Fund 2013

Entre as novidades deste ano estão as novas categorias de premiação. A mais notável que envolve mais um brasuca cineasta é a Hubert Bals Fund, uma iniciativa do Festival de Cinema de Roterdã que fornece subsídios para projetos de cinema ​​em vários estágios de conclusão. Entre os selecionados para este ano está Gabriel Mascaro. A experiência com a exibição “Avenida Brasília Formosa” lhe rendeu apoio do Hubert Bals Fund na execução do seu primeiro longa de ficção.

Outra iniciativa que vem animando o mercado cinematográfico é o “Big Screen Award”, onde dez filmes recentes concorrem para distribuição no Benelux. E por fim, mais um prêmio foi criado: o World View New Genres Fund Development Award, com premiação de 5 mil euros concedido ao melhor projeto exibido no CineMart (mercado de coprodução de Roterdã).

Texto: Flávia Waltrick

Hogmanay: o Ano Novo escocês!

11 jan
Edinburgh's Hogmanay Street Party 2010

Multidão na Princes Street durante a festa da virada

Nem todo Reveillon na Europa é animado. Em muitas cidades queimam-se os fogos, a multidão se dispersa e a festa acaba. Mas em Edimburgo, capital da Escócia, a conversa é outra. Para quem procura um lugar diferente do convencional, o Hogmanay pode ser uma ótima pedida, especialmente se você estiver disposto a passar a virada ao som de muita música escocesa.

A procissão de tochas é uma tradição da era viking

A procissão de tochas é uma tradição da era viking

Para brindar, nada de champanhe! Esteja munido de um bom scott para aguentar o frio (além do mais, a cerveja não é o forte por lá)! Considerada uma das maiores festas de Ano Novo do mundo, o Hogmanay reúne cerca de 100 mil pessoas todos os anos nas ruas da cidade. A maior festa acontece numa das ruas principais da capital, a Princes Street, aos pés do castelo de Edimburgo.

Banho nas águas geladas do rio Forth é farra e tradição no primeiro dia do ano

Muita farra no primeiro dia no ano durante o banho nas águas geladas do rio Forth

São três dias de muita festa e entre 30 de dezembro e 1 de janeiro, diversas atrações movimentam a cidade, como a procissão de tochas, concerto a luz de velas na catedral St Giles, discoteca para crianças, triathlon, corrida de cachorros de trenó e até um mergulho no rio Forth para celebrar o início do ano (independentemente das baixas temperaturas, já que a tradição de mais de 400 anos serve para arrecadar dinheiro para instituições de caridade no Reino Unido).

Na noite da virada, o centro da cidade fica tomado por várias festas espalhadas com música eletrônica, bandas e o evento mais típico, “The Keilidh”. Lá, a ideia é celebrar o Ano Novo no embalo da tradição celta: com direito a gaita de foles, saias kilt e coreografia escocesa. Confira no vídeo abaixo:

Texto e vídeo: Flávia Waltrick / Fotos: BBC