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A arte das porcelanas de Delft

14 maio
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Motivos diversos compõe a galeria de peças Delft Blauw

Quem já esteve na Holanda certamente viu milhares de peças de porcelanas brancas pintadas de azul, desde os tradicionais tamanquinhos holandeses até saleiros em formato fálico. Em qualquer esquina encontra-se uma loja de souvenir repleta destas porcelanas chamadas “Delft Blauw”, em homenagem à cidade de origem.

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Artesão pintando uma peça em sua loja de souvenir

O que pouca gente sabe é que a maioria é, ironicamente, made in China. O motivo é simples: globalização e preço mais em conta para atrair os turistas. Obviamente, não são originais. As verdadeiras porcelanas holandesas são fabricadas em Delft, cidade que fica a 64 quilômetros de Amsterdã.  Todas as peças são pintadas a mão, o que faz o preço ser bem mais salgado. Enquanto uma réplica de um tamanco é vendida a pouco menos de 5 euros, o verdadeiro custa a “bagatela” de 45 euros. É o preço da originalidade!

A cerâmica vitrificada azul e branca de Delft foi introduzida na Holanda pelos ceramistas italianos no século XVI. Cem anos mais tarde, mercadores começaram a trazer do Oriente amostras das delicadas  porcelanas chinesas. Pouco tempo depois, por volta de 1650, os ceramistas da região passaram a adotar o modelo chinês em todo tipo de peça ilustrando passagens bíblicas e o cotidiano daqueles anos.

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Sequência do processo de queima da cerâmica

Naquela época, a porcelana prosperava no país e Delft contava com 32 fábricas de cerâmica. Hoje, sobrou apenas uma para contar a história: The Koninklijke Porceleyne Fles, onde é possível conhecer mais sobre o processo de fabricação e visitar um pequeno museu com peças especiais como os pratos comemorativos aos casamentos e batizados reais e uma réplica em tamanho real da obra “A ronda noturna” do famoso pintor holandês Rembrandt. E claro, ao final do tour você pode  adquirir um souvenir originalíssimo, que vem até garantia e selo de qualidade!

Mas quem não quiser se dar ao trabalho de ir até a fábrica apenas para comprar um legítimo Delft Blauw, a opção é percorrer as lojinhas autorizadas na praça central da cidade.

Texto e fotos: Flávia Waltrick

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Sustentabilidade rock and roll!

11 mar

Uma coisa bacana é juntar rock ‘n’ roll e consciência ecológica, não é? No show do Coldplay em Den Haag, na Holanda, a moçada uniu o útil ao agradável no chamado “Clean Up Point”.

A cada 10 copos recolhidos a pessoa ganhava uma ficha para trocar por outra bebida que poderia ser cerveja, água ou refri. Atitude sustentável em meio a muita música boa que, de quebra, ainda economizava uns trocados garantindo mais um gole de graça.  Pensa só: cerveja em troca de um mutirão da limpeza?! O que não faltou foi gente catando copinho no chão!

E se essa moda pega no Brasil?! Olha aí, Comissão Organizadora da Copa! Alô Comitê Olímpico Brasileiro! Pessoal da produção de eventos!! O meio ambiente (e o nosso bolso) agradecem!!

Texto e fotos: Flávia Waltrick

Folia na Holanda!

15 fev
Folia até debaixo de neve

Folia até debaixo de neve

A festa acontece em Maastricht, no sul do país e dura três dias (de domingo a terça), sendo o sábado “o esquenta”. A  cidade é conhecida por ser a capital holandesa do Carnaval e chega a atrair turistas dos países vizinhos, como Alemanha e Bélgica.

A folia é, sem dúvida, completamente diferente do Carnaval brasileiro, mas conta com desfiles, carros alegóricos, bloquinhos, shows, muitas fantasias e o principal, foliões dispostos a cair na farra (a que eles estão habituados, claro! Afinal de contas cada um se diverte como pode!).

Pensa bem se não é animação? Enfrentar um frio de zero grau na rua, fantasiado? Por isso, alguns apetrechos são indispensáveis. Nada de colar havaiano, Carnaval na Holanda exige cachecol, luvas e gorro! E quando o frio aperta, você termina a folia do dia num pub ao som de música tradicional holandesa e, como sempre, regado a muita cerveja!

Confira aqui um pouquinho do evento!

Texto: Flávia Waltrick / Vídeo: Flávia Waltrick e Barbara Chanin

Torta holandesa: está servido?!

6 fev

Aí você chega na Holanda e, salivando, pensa: “Vou comer a legítima torta holandesa”! Não se assuste se te servirem uma bela e farta fatia de torta de maçã com chantilly. É, eu também fico me perguntando por que cargas aquela torta com creme e biscoito chama-se “torta holandesa”  se a tradicional é a appeltaart, recheada de maçã, passas e canela?!

Analisando friamente os fatos você percebe que uma receita que leva biscoito maria e calipso não pode mesmo ser originalmente holandesa. Segundo consta, essa torta é legitimamente brasileira, nascida em Campinas, interior de São Paulo, no início dos anos 1990. A criadora da sobremesa, a doceira Sílvia Leite, batizou-a com este nome inspirada nos anos em que morou na Europa.

O intuito desse post não é desmerecer nenhuma das receitas – já que ambas são deliciosas – mas esclarecer a confusão para o turista desavisado que estiver aguado para experimentar a iguaria original!

A legítima appeltaart é um orgulho para os holandeses e a receita tem passado de geração a geração. O primeiro registro da torta foi encontrado no livro de receitas “Boecxken van Cokeryen”, datado de 1514. Dizem também que há um quadro holandês de 1626 onde a torta foi pintada. Com o passar dos anos, os holandeses souberam aprimorá-la e hoje ela é servida com uma porção generosa de slagroom (chantilly).

Ficou com vontade? Então aí estão as receitas:

Appeltaart 

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Appeltaart com slagroom vai bem com um cafezinho

Ingredientes

Massa:

300gr farinha com fermento

1 ovo

175 gramas de manteiga

150 gramas de açúcar

1 colher de chá de sal

Recheio:

1 kg de maçãs (melhores opções são a gala ou fuji)

50 gramas de açúcar

100 gramas de uva passa

2,5 colheres de chá de canela em pó

suco de meio limão siciliano

Modo de Preparo

Prévio:

Aqueça o forno a 175 graus Celsius. Unte com manteiga uma forma de aro removível.

Recheio:

Deixe as passas de molho em água quente por 5 minutos e escorra. Descasque e pique as maçãs em pedaços pequenos. Misture com o açúcar, as passas, a canela, o suco de limão. Deixe descansar enquanto prepara a massa.

Massa: Numa tigela pequena bata o ovo com um garfo ou fouet. Pique a manteiga em pequenos quadrados. Misture com as mãos a farinha, o açúcar, a manteiga, o sal e 2/3 do ovo numa tigela grande até formar uma bola. Obs: A massa ficou um pouco grudenta. Eu trabalhei com ela assim mesmo. Se preferir creio que possa adicionar um pouco mais de farinha.

Montagem:

Espalhe 3/4 da massa no fundo e laterais da forma. Coloque o recheio sobre a massa. Abra o 1/4 da massa com um rolo e corte em tiras ou faça tirinhas enrolando pedaços da massa com as mãos e disponha sobre a massa fazendo um xadrez. (cerca de 4 tiras num sentido, 4 no outro). Pincele com o 1/3 do ovo reservado. Leve ao forno por cerca de 1 hora e 15 minutos. Retire do forno e deixe a torta esfriar na forma. Após frio, desenforme.

Receita retirada do Blog da Leili.

Torta Holandesa (do Brasil)

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Torta holandesa combina com sorvete de creme

Ingredientes

Base:

1 pacote de biscoito tipo maisena ou leite

100g de manteiga

Recheio:

½ xícara (chá) de cream cheese

3 colheres (sopa) de açúcar

300g de chocolate branco

1 ½ xícara (chá) de creme de leite sem soro

1 colher (chá) de essência de baunilha

1 pacote de gelatina incolor (12g)

3 claras em neve

1 pacote de bolacha com cobertura de chocolate

Cobertura:

200g de chocolate meio amargo

1 xícara (chá) de creme de leite

30 min (+ 5 horas de geladeira)

Modo de preparo

Base: triture o biscoito e misture-o com a manteiga amolecida. Em seguida, forre uma assadeira de fundo removível com a massa obtida.

Recheio: bata o cream cheese com açúcar na batedeira ou na mão até obter um creme fofo. Reserve. Derreta o chocolate branco em banho-maria ou no microondas e adicione o creme de leite. Acrescente a essência de baunilha, a gelatina (hidrate antes), o cream cheese com açúcar e, por fim, incorpore as claras em neve delicadamente à mistura. Arrume as bolachas com cobertura de chocolate na borda da assadeira e adicione o creme no meio. Leve à geladeira por aproximadamente 4 horas ou até endurecer.

Cobertura: derreta o chocolate em banho Maria ou no microondas e adicione o creme de leite. Quando estiver em temperatura ambiente, retire da geladeira a torta e acrescente o chocolate meio amargo derretido por cima. Leve novamente a geladeira até endurecer.

Receita do Edu Guedes!

Texto: Flávia Waltrick

O rei: Willem-Alexander

28 jan
File photo showing Netherlands' Beatrix and her son Crown Prince Willem-Alexander waving to well-wishers from the balcony of the Royal Noordeinde Palace after opening the new parliamentary year in The Hague

O príncipe herdeiro Willem-Alexander e sua mãe, a rainha Beatrix

Hoje a rainha Beatrix da Holanda abdicou ao trono. Depois de 123 anos de uma sucessão de reinados sob o comando feminino (o dela, que durou quase 33 anos, o de sua mãe Juliana, 1948-1980; e de sua avó Guilhermina, 1890-1948), o “poder” passa para as mãos do príncipe de Orange, Willem-Alexander.

Em 30 de abril deste ano, o primogênito da família real holandesa assumirá como rei e chefe de Estado. Willem é casado com a argentina Máxima Zorreguieta, que assim como Lady Di, tem os holofotes mais voltados para ela do que para o próprio príncipe e marido. O casal tem três filhas: Amalia, nascida em 2003 que se torna a princesa herdeira, Alexia (2005) e Ariane (2007).

Antes de Willem, o último rei foi Guilherme III (1849–1890), precedido por Guilherme II (1840–1849) e Guilherme I (1815–1840) – muito original, hã?! – todos da Casa de Orange-Nassau. Para refrescar a memória, Guilherme I foi coroado o primeiro monarca da Holanda, depois que os holandeses expulsaram as tropas francesas de Napoleão Bonaparte.

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Willem, Máxima e as três filhas numa típica foto holandesa: passeando de bicicletas

A monarquia na Holanda tem poderes limitados. O monarca, embora seja considerado parte do governo, é politicamente neutro e o poder real está nos ministros.

Como príncipes, Willem e Máxima desempenharam importante função social por meio da fundação Oranje Fonds, que apoia iniciativas sociais na Holanda. Outra atividade de destaque de Willem desde 2006 é a presidência da junta assessora de Águas e Serviços da Secretaria-Geral da ONU.

Durante seu reinado Beatrix ganhou a admiração e respeito da maioria dos holandeses. Agora, resta saber se o sucessor também terá o carisma e aceitação do povo, já que uma série de acontecimentos pôs em xeque a confiança no casal de herdeiros.

Entre os motivos da resistência estão alguns investimentos imobiliários que geraram polêmicas. Em 2009 eles compraram uma casa em Moçambique, mas acabaram vendendo o imóvel após as críticas do povo. Em 2011, em meio à crise econômica européia, o casal comprou uma mansão em Kranidi, na Grécia, que segundo o jornal holandês De Volkskrant, custou 4,5 milhões de euros.

Inicialmente, o próprio casamento entre Willem e Máxima não foi visto com bons olhos pelo parlamento holandês por ela ser filha do político Jorge Zorreguieta, que foi secretário de Agricultura do general Videla durante a ditadura na Argentina. Mas atualmente a princesa da Holanda é tão benquista pela população que há rumores de que ela também seria coroada rainha ao lado do marido, fato inédito nos Países Baixos.

Texto: Flávia Waltrick

Brasil marca presença no Festival de Cinema de Roterdã

22 jan

cinema

Quinze filmes irão representar o Brasil na 42ª edição do Festival Internacional de Cinema de Roterdã, que começa amanhã  e vai até o dia 3 de fevereiro. Da seleção nacional, o destaque é o longa “Eles Voltam”, do pernambucano Marcelo Lordello, que fará sua estréia internacional na cidade holandesa. O filme, vencedor do festival de Brasília, também concorre ao prêmio Hivos Tiger, o principal da mostra competitiva do evento, ao lado de produções da Itália, Irã, México e Argentina.

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Maria Luíza Tavares vive a garota Cris que tenta voltar para a casa com o irmão depois de serem largados na estrada

Coincidência ou não, este é o terceiro cineasta pernambucano a participar da seção competitiva, depois de Kléber Mendonça Filho com “O Som ao Redor” no ano passado; e Cláudio Assis, premiado em 2007 com o longa “Baixio das Bestas”. Foi também em Roterdã que o conterrâneo Gabriel Mascaro exibiu pela primeira vez “Avenida Brasília Formosa”.

Com uma temática mais leve e aventureira que os longas pernambucanos exibidos anteriormente, “Eles voltam” narra a história de duas crianças que são deixadas pelos pais à beira da estrada depois de brigarem constantemente durante uma viagem à praia.

A cada ano que passa o cinema nacional tem marcado mais presença no festival. Nesta edição, também estreiam em terras holandesas as produções brasileiras “Morro dos Prazeres”, de Maria Augusta Ramos; “O Uivo da Gaita”, de Bruno Safadi; “Avanti Poppolo”, de Michael Wahrmann;  “A Floresta de Jonathas”, de Sérgio Andrade; e “O Rio nos Pertence”, de Ricardo Pretti.

Completam a lista da seleção brasileira, “Claun – Parte 1: Os dias aventurosos de Ayana”, de Felipe Bragança; “Dizem que os cães veem coisas”, de Guto Parente; “Filme para poeta cego”, de Gustavo Vinagre numa produção conjunta entre Brasil e Cuba; “Na sua Companhia”, de Marcelo Caetano; “Odete”, de Clarissa Campolina, Ivo Lopes Araújo e Luiz Pretti;  “Serra do mar”, de Iris Junges;  “Tropicália, de Marcelo Machado; e novamente de Bruno Safadi, “Éden”.

Cena de "Avenida Brasília Formosa", de Gustavo Mascaro, cineasta contemplado com o Hubert Bals Fund 2013

Cena de “Avenida Brasília Formosa”, de Gabriel Mascaro, cineasta contemplado com o Hubert Bals Fund 2013

Entre as novidades deste ano estão as novas categorias de premiação. A mais notável que envolve mais um brasuca cineasta é a Hubert Bals Fund, uma iniciativa do Festival de Cinema de Roterdã que fornece subsídios para projetos de cinema ​​em vários estágios de conclusão. Entre os selecionados para este ano está Gabriel Mascaro. A experiência com a exibição “Avenida Brasília Formosa” lhe rendeu apoio do Hubert Bals Fund na execução do seu primeiro longa de ficção.

Outra iniciativa que vem animando o mercado cinematográfico é o “Big Screen Award”, onde dez filmes recentes concorrem para distribuição no Benelux. E por fim, mais um prêmio foi criado: o World View New Genres Fund Development Award, com premiação de 5 mil euros concedido ao melhor projeto exibido no CineMart (mercado de coprodução de Roterdã).

Texto: Flávia Waltrick

Dia de Sinterklaas!

5 dez

O Natal na Holanda é comemorado de forma um pouco diferente do que em outros países. Aqui, o Papai Noel é conhecido como Sinterklaas, não anda de trenó e nem entra pela chaminé! Ele vem da Espanha de barco, montado num cavalo branco, usa um cajado e um revelim (chapéu de bispo). Todos os anos, os holandeses comemoram a véspera do dia de São Nicolau – santo que deu origem a Sinterklaas – no dia 5 de dezembro. As famílias se reúnem e as crianças esperam ansiosas pelos presentes, que aparecem no dia seguinte junto dos sapatos que elas deixaram perto da lareira na noite anterior.

Chegada de Sinterklaas em Amsterdã em seu cavalo branco.

Chegada de Sinterklaas em Amsterdã em seu cavalo branco

Na Holanda, esta data é mais celebrada do que a própria noite de Natal! E as comemorações já são tradições antigas no país, e começam algumas semanas antes. No final de novembro, Sinterklaas e seus ajudantes, os Zwarte Pieten, chegam de barco e fazem um desfile nas cidades. Este ano, o desfile em Amsterdã aconteceu no domingo de 18 de novembro. Milhares de pessoas foram às ruas para ver a chegada de Sinterklaas em cima de seu cavalo branco, acompanhado dos Zwarte Pieten que animaram o dia com shows musicais e distribuindo as tradicionais pepernoten, bolachinhas holandesas típicas desta época. Veja aqui algumas imagens do dia da chegada de Sinterklaas na capital holandesa:

Entre a chegada de Sinterklaas até a noite da festa, o velhinho e seus ajudantes puderam ser vistos em alguns pontos da cidade. Os Zwarte Pieten, sempre com um saco cheio de guloseimas, distribuíram doces para todos. Abaixo você confere um pequeno registro do grupo flagrado dentro de um tram em Amsterdã!

Texto, fotos e vídeo: Bárbara Chanin